terça-feira, 26 de abril de 2011

CERTEZAS ABSOLUTAS


            
“As convicções são piores inimigos da verdade que as mentiras.” Nietzsche

          As convicções são como alucinações. Uma percepção sensorial muito viva, acompanhada da convicção de sua realidade, por parte da pessoa que acredita no fenômeno, idéia, base ou crença. Deixando-a inconscientemente cega, fechada, lacrada para balanços de qualquer “novo”.
            Este tipo de convicção faz da pessoa que a tem prisioneira. Como um avestruz com a cabeça na terra seca e vermelha, como um religioso cremado e soterrado em sua bíblia, como um velho que acredita que o seu tempo tinha os jovens mais educados, preços mais baixos e lugares melhores freqüentados, este tipo de pessoa, ou convence que está mergulhado de razão, ou faz da opinião contrária um preconceito, um tsunami, uma guerra.
            Desta certeza absoluta, surge o mal. Do não pensar. O mal da burrice. O mal do considerar o que não existe e de não considerar o que insiste. O mal de guerrear por um princípio sem causa, por um paraíso sem humanidade, árido, morto, egoísta.
            Mulan Kundera já dizia: “Os regimes criminosos não foram feitos por criminosos, mas por entusiastas convencidos de terem descoberto o único caminho para o paraíso.” E este céu, transforma a Terra neste inferno. Um inferno misturado, dissimulado e louco onde pessoas se acham no direito de julgar, criticar e construir fundamentos que não tem a permissão de aprender ou de um crescimento mental e não leal.
            Ser leal ao que nunca paramos para pesquisar, pensar ou considerar, nos faz tolos animais. Faz até tempo que não vejo um humano por aí, juro que ando vendo tantos animais de duas pernas falando.
            Hitler afirmava: “Ao me defender dos judeus, defendo o trabalho do Senhor.” Mao Tsé-tung: “Ler demasiados livros é perigoso” e por último, Stalin nos avisa: As idéias são muito mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, porque deveríamos permitir que tenham idéias?” Estas coisas ditas dos três maiores ditadores do mundos e os seguimos até hoje. Engolimos suas idéias sem mastigá-las.
            Matamos as pessoas por dentro, as secamos e as despetalamos simplesmente porque as suas convicções não são as nossas.
            Cadê a coragem de nos enfrentar? De abrirmos nossas flores de pensamentos para que chova gotas e mais gotas do “novo”, da dúvida e da curiosidade? Parecemos aqueles burros de carga, o conhecimento é o chicote, e o novo, a carga E o burro não anda de jeito nenhum. É como nascer e não querer abrir os olhos para ver que os nove meses acabaram e que aquela casinha confortável da mamãe se desfez em afirmações súbitas e coloquiais, passaram-se os nove meses e você não é um bebê mais. Há quanto tempo temos estado com nove meses?
            Não faz mal ter convicções, todos temos as nossas. Desde que estejamos abertos a discutir e entender que cada um tem a sua verdade, e que a verdade do outro, pode completar, ajustar e até mudar (porque não?) a sua.
            Afinal, vai ficar relinchando por quanto tempo?


quinta-feira, 14 de abril de 2011

VONTADE DE QUE SEJA MEU

         Morro de vontade de ter as tuas vontades, fazer as suas vontades e ser a tua vontade.
         Vontade de te dar uma cômoda para guardar suas roupas do jeito organizado e assiado que você gosta. Para você me guardar um pouco em cada gaveta. Nossa primeira ida ao cinema dentro da terceira gaveta embaixo das meias brancas, as velas perfumadas entre suas roupas e minha vela preferida em sua cueca predileta.
         Vontade de te comprar todos os sabores de chicletes do mundo, para você mascar e aliviar seu bruxismo. Para me mastigar. Para quando você se cansar dos meus beijos, deixar minha boca com gostos, sabores e cores diferentes. Ou simplesmente porque sei o quanto ama chiclete.
         Vontade de te dar minhas roupas, que me veja nua. Que decore cada parte das minhas veias, pele e rugas. Que me veja nua para que me cubra com uma coberta, com seus desejos, me cubra de amor, de paixão, me cubra com seu corpo, com sua música. Me cubra com seus olhos.
         Vontade de que quando você dormir, eu sonhar o seu sonho. Vontade de que em todos seus sonhos eu dê pelo menos uma passadinha. Só pra não te deixar esquecer que meus sonhos são seus e de que ultimamente, você tem sido meu sonho.
         Vontade de te apertar até minha mão una-se a sua, até que meus pés tropecem nos seus e você caia no meu colo, até que sua barriga grudasse na minha e sua parte inferior roçasse nas minhas partes. Vontade de gozar dentro de você. Não só de prazer, mas de alegria. Vontade de te satisfazer.
         Vontade de que você tenha vontade constante. Não só de beijos e abraços, mas de viajar, de crescer, de assistir filmes, de ir para festas, de andar de mãos dadas, de fazer coisas banais, principalmente as coisas banais. Dessas que a gente tem: do clima esquentar e começarmos a rir até que o clima passe, de piadas sem graça, de falarmos de coisas banais e sem significado plausível, de como o coração espalha o sangue pelo corpo. Eu quero me espalhar nas suas veias e percorrer você. Que tenha vontade de mim, de nós, e que esses nós não desatem.
         Vontade da paixão. Aquela louca, desvarrida, arrebatadora. Que ela te arrebate e te leve ao céu, ao inferno e ao limbo. Que você não saiba onde está, como foi parar lá, mas que não importa, porque eu estou do seu lado. Firme, musicalmente presente, agarrada. A paixão é egoísta mesmo. Que Deus nos permita que a paixão carregue-nos, que a tempestade arraste esse barco sem que tenhamos o controle de parar. Que a paixão nos cegue, nos faça arder de ciúmes, de infantilidades e incertezas.
         E finalmente, após a tempestade da paixão passar, que a brisa leve do amor segure nosso barco para ele não afundar.
         Vontade de que você me ame. Me ame intensamente para não deixar a falta de vontade te confundir com falta de amor. Para que você cole nossas mãos para quando a fofoca te puxar ou a mim, estejamos firmes, um do lado do outro! Sinta amor por mim o bastante para ter certezas suficientes que confronte as incertezas. Ame mais a fé em nós do que nós em si. Ame meu interior mais que meu corpo, para quando ele se modificar, continuar intacto. Seja meu amor, deixe eu te amar e permita ser amado. Deixa-me entrar e te conduzir. Ame a mim um pouco mais que aos outros. Ame nossos futuros filhos, para que assim tenha algo em que se agarrar alem de mim quando a vontade de me deixar for forte.
         Vontade de que seja forte... e de que seja meu.